cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

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o Jack Nicholson parece sempre andar em uma tênue linha entre o amigável e o ameaçador. seu rosto, com alguns leves movimentos, é capaz de caminhar livremente entre territórios distantes, como a paz e o caos. mas nesse filme vi algo que ainda não tinha presenciado em filmes com ele, que é o da desilusão que paralisa qualquer expressão. as palavras dilacerantes ditas pela Catherine são capazes de travar a reação de Bobby (Nicholson), porque ali é escancarado a verdade que ele ignora: de que a mudança real parte do interior do homem. Bobby é uma folha seca, solta de sua árvore, sendo levado pra todos os lados de acordo com o vento, sem a capacidade de criar raízes – o oposto da Catherine. cada um vive como quer, mas será que Bobby, realmente, vive?

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

amantes [james gray, 2008]

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alguns filmes possuem uma força indescritível e são capazes de, ao atravessar qualquer barreira, habitar nosso interior, serem parte de nós. tudo vira secundário quando encontramos olhares tão intensos e verdadeiros – porque é isso que realmente importa em ‘amantes’, o entrelaçamento dos rostos, das luzes, das sombras, dos desejos, das verdades e das mentiras.

amantes [james gray, 2008]

straight outta compton [f gary gray, 2015]

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tenho uma curiosidade inata por cinebiografias sobre pessoas que, de alguma forma, “conheço”. sempre gostei de rap e o N.W.A. é dos grupos mais influentes. e o filme acaba sendo só isso mesmo, uma curiosidade – “olha lá o Snoop Dogg”, “olha lá o Tupac”, “olha lá o Suge Knight”. gray até consegue passar um pouco de eletricidade nos momentos dos shows ao vivo do grupo, mas acaba sendo pouco pra justificar o filme e o alarde.

straight outta compton [f gary gray, 2015]

Consciências Mortas [William A. Wellman, 1943]

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“Law is nature, law is beautiful, law touches eternity”.

são com essas belas palavras que Tag Gallagher traduz um pouco de um dos mais belos quadros do cinema, em ‘a mocidade de Lincoln’ [John Ford, 1939]. nessa cena, Lincoln está deitado ao pé de uma árvore, com um rio correndo ao lado, onde ele lê, fascinado, algum livro sobre leis. enquanto Lincoln admira com humilde perplexidade a lei, os personagens de ‘consciências mortas’ querem se apoderar desse conceito e transformá-lo em algo que não é. a árvore está presente de novo, quando wellman deixa claro que a lei está acima dos homens. ora, se está acima dos homens é porque vem de algo superior a nós, somos subordinados a essa ordem [como fica claro no plano que ilustra o post]. a lei toca a eternidade. o que é eterno? fica fácil entender agora. não é coincidência que ao enquadrar os 7 únicos a apoiarem a verdadeira lei, é que ao fundo jorra uma luz divina. os habitantes daquela pequena cidade se deixam levar pelos desejos, pelos impulsos – nada mais mundano, portanto. um dos maiores filmes de todos.

Consciências Mortas [William A. Wellman, 1943]

tubarão [steven spielberg, 1975]

jaws

já virou rotina hoje em dia ridicularizar as poucas pessoas que enxergam com clareza o perigo representado por ameaças “invisíveis”. Amity Island preza por seus costumes, suas tradições, como a comemoração do 4 de Julho e as visitas frequentes da população à praia. o agente que quebra a ordem é “silencioso” mas que não evita de deixar seus rastros óbvios, percebido apenas pelo Roy Schneider, taxado de louco, logo o único a, não perceber, mas, acreditar nos primeiros indícios de que algo está prestes a demolir a tranquilidade daquelas pessoas. o prefeito é aquilo mesmo, sem o senso de comunidade que lhe é necessário, ele não quer deixar as praias abertas pela manutenção das tradições, mas sim pelo lucro, que não representa alicerce sólido pra nada. a consequência é inevitável, mais mortes. a vigilância é necessária, escutar o que realmente acontece, o som do mar, o leve movimento da vara de pescar, os movimentos das pessoas na água. no momento em que o protagonista ousa duvidar das evidências e de seu próprio senso de proteção é quando ele quase perde sua maior joia.

tubarão [steven spielberg, 1975]

o incrível homem que encolheu [jack arnold, 1957]

the incredible

 

em outras oportunidades Jack Arnold já mostrava que o mundo possui muito além do conhecido, coisas que estão fora do alcance humano. em ‘O Monstro da Lagoa Negra’ é necessário ter respeito pela história e admitir os limites da “ciência”. do mesmo modo, não é a ciência que é capaz de dar um fim ao problema de Scott. enquanto Scott está cercado por uma vida cujos alicerces são fincados em bases frouxas, o que resta é a raiva e o desajuste frustrante. logo, as respostas só começam a surgir quando o tamanho atinge o mínimo, quando é necessário ser, aí sim, um grande homem. tornar-se o tipo de homem que fez com que tudo fosse possível: produzir, conquistar, batalhar, ter coragem acima de tudo. só aí é possível, mais uma vez, existir.

o incrível homem que encolheu [jack arnold, 1957]