a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

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um filme que não quis ser sincero, o objetivo aqui foi ser ‘esperto’ e acabou num filme sem alma. o que o ang lee quis era fazer uma crítica a essa cultura do espetáculo norte-americana mas não conseguiu sair dos entraves dessa premissa (ruim). o que poderia salvar o filme seria o relacionamento entre os soldados, a amizade entre eles, o relacionamento de billy com a sua família, mas tudo isso acaba sendo retratado de forma estéril. sem falar em um desfile de personagens imbecis/inúteis, como o do Chris Tucker.

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a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

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o Jack Nicholson parece sempre andar em uma tênue linha entre o amigável e o ameaçador. seu rosto, com alguns leves movimentos, é capaz de caminhar livremente entre territórios distantes, como a paz e o caos. mas nesse filme vi algo que ainda não tinha presenciado em filmes com ele, que é o da desilusão que paralisa qualquer expressão. as palavras dilacerantes ditas pela Catherine são capazes de travar a reação de Bobby (Nicholson), porque ali é escancarado a verdade que ele ignora: de que a mudança real parte do interior do homem. Bobby é uma folha seca, solta de sua árvore, sendo levado pra todos os lados de acordo com o vento, sem a capacidade de criar raízes – o oposto da Catherine. cada um vive como quer, mas será que Bobby, realmente, vive?

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

amantes [james gray, 2008]

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alguns filmes possuem uma força indescritível e são capazes de, ao atravessar qualquer barreira, habitar nosso interior, serem parte de nós. tudo vira secundário quando encontramos olhares tão intensos e verdadeiros – porque é isso que realmente importa em ‘amantes’, o entrelaçamento dos rostos, das luzes, das sombras, dos desejos, das verdades e das mentiras.

amantes [james gray, 2008]

straight outta compton [f gary gray, 2015]

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tenho uma curiosidade inata por cinebiografias sobre pessoas que, de alguma forma, “conheço”. sempre gostei de rap e o N.W.A. é dos grupos mais influentes. e o filme acaba sendo só isso mesmo, uma curiosidade – “olha lá o Snoop Dogg”, “olha lá o Tupac”, “olha lá o Suge Knight”. gray até consegue passar um pouco de eletricidade nos momentos dos shows ao vivo do grupo, mas acaba sendo pouco pra justificar o filme e o alarde.

straight outta compton [f gary gray, 2015]

birdman [alejandro gonzález iñarritu, 2014]

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já faz alguns dias que assisti ‘Birdman’ e sigo sem entender a razão desse filme existir. é um grande nada. o filme não passa do fator que é o maior responsável por sua fama – esse joguinho metalinguístico com Keaton-Birdman/Batman. a partir daí o filme fica andando em círculos, com Emma Stone e Edward Norton dando uns gritos de vez em quando, Keaton até sendo competente no seu papel, mas no fim das contas são só um pretexto pra ficar fazendo umas piruetas com a câmera, ficar mudando a iluminação [azul, vermelho, etc] pra impressionar alguns. pouco vale a pena aqui.

birdman [alejandro gonzález iñarritu, 2014]

casablanca [michael curtiz, 1942]

casablanca

humphrey bogart possui um dos rostos mais marcantes do cinema. cada ruga esculpida em seu rosto é como se fosse uma cicatriz de alguma desilusão que nunca deixa de arder. por isso que o sorriso de bogart sempre exala efemeridade. claro que essas características foram elevadas à máxima potência num dos grandes filmes do cinema, ‘no silêncio da noite’ de nick ray. mas isso não faz com que ‘casablanca’ deixe de ser um filme dolorido. mesmo se não soubéssemos a história de rick e ilsa, o necessário está no plano que mostra o rosto de ingrid bergman ao som de ‘as time goes by’.

casablanca [michael curtiz, 1942]

Consciências Mortas [William A. Wellman, 1943]

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“Law is nature, law is beautiful, law touches eternity”.

são com essas belas palavras que Tag Gallagher traduz um pouco de um dos mais belos quadros do cinema, em ‘a mocidade de Lincoln’ [John Ford, 1939]. nessa cena, Lincoln está deitado ao pé de uma árvore, com um rio correndo ao lado, onde ele lê, fascinado, algum livro sobre leis. enquanto Lincoln admira com humilde perplexidade a lei, os personagens de ‘consciências mortas’ querem se apoderar desse conceito e transformá-lo em algo que não é. a árvore está presente de novo, quando wellman deixa claro que a lei está acima dos homens. ora, se está acima dos homens é porque vem de algo superior a nós, somos subordinados a essa ordem [como fica claro no plano que ilustra o post]. a lei toca a eternidade. o que é eterno? fica fácil entender agora. não é coincidência que ao enquadrar os 7 únicos a apoiarem a verdadeira lei, é que ao fundo jorra uma luz divina. os habitantes daquela pequena cidade se deixam levar pelos desejos, pelos impulsos – nada mais mundano, portanto. um dos maiores filmes de todos.

Consciências Mortas [William A. Wellman, 1943]