os maridos [john cassavetes, 1970]

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o filme começa com uma sequência de fotografias protagonizada por quatro amigos (Gus, Archie, Harry e Stuart) de uma reunião entre suas famílias, à beira da piscina em um dia ensolarado, provavelmente com umas carnes numa grelha e cerveja bem gelada (suposições, claro). mesmo sem conhecermos o contexto em que seu deu essa festa, será o único momento de “Os Maridos” em que teremos a sensação de diversão genuína entre o trio que acompanharemos durante o restante do filme.

a morte de Stuart é o momento em que há uma ruptura muito clara na vida dos amigos: não existe mais meio-termo. a perspectiva da finitude da vida, nessas circunstâncias, apresenta dois caminhos: fazer um balanço da vida e enfrentar todos os problemas e frustrações de sua trajetória, ou simplesmente ignorar tudo isso e viajar pra Londres, beber todas e ir atrás de mulheres. durante o filme, que é uma tentativa de fuga da vida que levam e do próprio luto, é constante a sensação de que tudo uma hora vai desmoronar. as tentativas de Archie de expressar esse sentimento são fracassadas, pois ele não sabe nem como começar. os momentos ensolarados ficaram apenas nas fotografias.

 

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os maridos [john cassavetes, 1970]

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

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o Jack Nicholson parece sempre andar em uma tênue linha entre o amigável e o ameaçador. seu rosto, com alguns leves movimentos, é capaz de caminhar livremente entre territórios distantes, como a paz e o caos. mas nesse filme vi algo que ainda não tinha presenciado em filmes com ele, que é o da desilusão que paralisa qualquer expressão. as palavras dilacerantes ditas pela Catherine são capazes de travar a reação de Bobby (Nicholson), porque ali é escancarado a verdade que ele ignora: de que a mudança real parte do interior do homem. Bobby é uma folha seca, solta de sua árvore, sendo levado pra todos os lados de acordo com o vento, sem a capacidade de criar raízes – o oposto da Catherine. cada um vive como quer, mas será que Bobby, realmente, vive?

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]