voo [robert zemeckis, 2012]

voo

O ser humano não tem natureza, mas História”.
José Ortega y Gasset.

o primeiro passo pra mudança real do homem é que ele conte sua própria história com sinceridade. apesar das circunstâncias oferecerem diversas oportunidades para que whip (denzel) admita o que ele é (e que é óbvio para todos os que estão em sua volta), ele as rejeita. a partir do momento em que ele verbaliza suas feridas não cicatrizadas tudo se torna mais claro e sua trajetória se ilumina, mesmo que isso signifique enfrentar a prisão, coisa que ele tenta evitar durante o filme inteiro. não à toa que o filme se encerra com seu filho pedindo pra que ele conte sua história.

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voo [robert zemeckis, 2012]

a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

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um filme que não quis ser sincero, o objetivo aqui foi ser ‘esperto’ e acabou num filme sem alma. o que o ang lee quis era fazer uma crítica a essa cultura do espetáculo norte-americana mas não conseguiu sair dos entraves dessa premissa (ruim). o que poderia salvar o filme seria o relacionamento entre os soldados, a amizade entre eles, o relacionamento de billy com a sua família, mas tudo isso acaba sendo retratado de forma estéril. sem falar em um desfile de personagens imbecis/inúteis, como o do Chris Tucker.

a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

os melhores filmes que vi pela primeira vez em 2016

stevejobs

30. Steve Jobs (Danny Boyle, 2015).

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29. Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers; Don Siegel, 1956).

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28. Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands; Tim Burton, 1990).

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27. Um Amor a Cada Esquina (She’s Funny That Way; Peter Bogdanovich, 2014).

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mud

26. Amor Bandido (Mud; Jeff Nichols, 2012).

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25. Pat Garret & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973).

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love

24. Amantes (Love Streams; John Cassavetes, 1984).

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goonies

23. Goonies (Richard Donner, 1985).

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22. Conta Comigo (Stand By Me; Rob Reiner, 1986).

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blackhat

21. Hacker (Blackhat; Michael Mann, 2015).

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sully

20. Sully (Clint Eastwood, 2016).

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19. Atração Perigosa (The Town; Ben Affleck, 2010).

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18. Do Mundo Nada Se Leva (You Can’t Take It With You; Frank Capra, 1938).

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17. O Céu Mandou Alguém (3 Godfathers; John Ford, 1948).

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prisoners

16. Os Suspeitos (Prisoners; Dennis Villeneuve, 2013).

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15. A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington; Frank Capra, 1939).

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14. No Coração do Mar (In The Heart Of The Sea; Ron Howard, 2015).

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13. O Show de Truman (The Truman Show; Peter Weir, 1998).

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sabrina

12. Sabrina (Billy Wilder, 1954).

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creed

11. Creed (Ryan Coogler, 2015).

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10. Viver (Ikiru; Akira Kurosawa, 1952).

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9. Quadrilha Maldita (Day of The Outlaw; Andre De Toth, 1959).

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agonia

8. Agonia de Uma Vida (Thunder On The Hill; Douglas Sirk, 1951).

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viaggio

7. Viagem à Itália (Viaggio In Italia; Roberto Rossellini, 1954).

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6. Essa Pequena É Uma Parada (What’s Up Doc?; Peter Bogdanovich, 1972).

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5. Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off; John Hughes, 1986).

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4. Marrocos (Morocco; Josef Von Sternberg, 1930).

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3. Campo dos Sonhos (Field of Dreams; Phil Alden Robinson, 1989).

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2. Cada Um Vive Como Quer (Five Easy Pieces; Bob Rafelson, 1970).

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1. Amantes (Two Lovers; James Gray, 2008).

os melhores filmes que vi pela primeira vez em 2016

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

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o Jack Nicholson parece sempre andar em uma tênue linha entre o amigável e o ameaçador. seu rosto, com alguns leves movimentos, é capaz de caminhar livremente entre territórios distantes, como a paz e o caos. mas nesse filme vi algo que ainda não tinha presenciado em filmes com ele, que é o da desilusão que paralisa qualquer expressão. as palavras dilacerantes ditas pela Catherine são capazes de travar a reação de Bobby (Nicholson), porque ali é escancarado a verdade que ele ignora: de que a mudança real parte do interior do homem. Bobby é uma folha seca, solta de sua árvore, sendo levado pra todos os lados de acordo com o vento, sem a capacidade de criar raízes – o oposto da Catherine. cada um vive como quer, mas será que Bobby, realmente, vive?

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

no coração do mar [ron howard, 2015]

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em “o problema do sofrimento”, C.S. Lewis escreve:

“Você experimentaria uma sensação de assombro e certo retraimento – a percepção da própria fraqueza e da incapacidade de fazer face a um visitante desses”.

eu sempre tive uma relação esquisita com o mar.

o mar ao mesmo tempo me convida e me repele. poucas são as vistas mais bonitas que o mar, mas ao lado do maravilhamento, ele me desperta um sentimento de pequenez.

assim como em ‘rush’, ron howard conta a história de homens corajosos que buscam afirmar sua vocação, mesmo que o preço seja a vida – porque é isso que eles sabem /devem fazer. e os feitos dos grandes homens sempre serão lembrados.

 

no coração do mar [ron howard, 2015]

amantes [james gray, 2008]

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alguns filmes possuem uma força indescritível e são capazes de, ao atravessar qualquer barreira, habitar nosso interior, serem parte de nós. tudo vira secundário quando encontramos olhares tão intensos e verdadeiros – porque é isso que realmente importa em ‘amantes’, o entrelaçamento dos rostos, das luzes, das sombras, dos desejos, das verdades e das mentiras.

amantes [james gray, 2008]

straight outta compton [f gary gray, 2015]

straight

tenho uma curiosidade inata por cinebiografias sobre pessoas que, de alguma forma, “conheço”. sempre gostei de rap e o N.W.A. é dos grupos mais influentes. e o filme acaba sendo só isso mesmo, uma curiosidade – “olha lá o Snoop Dogg”, “olha lá o Tupac”, “olha lá o Suge Knight”. gray até consegue passar um pouco de eletricidade nos momentos dos shows ao vivo do grupo, mas acaba sendo pouco pra justificar o filme e o alarde.

straight outta compton [f gary gray, 2015]