os maridos [john cassavetes, 1970]

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o filme começa com uma sequência de fotografias protagonizada por quatro amigos (Gus, Archie, Harry e Stuart) de uma reunião entre suas famílias, à beira da piscina em um dia ensolarado, provavelmente com umas carnes numa grelha e cerveja bem gelada (suposições, claro). mesmo sem conhecermos o contexto em que seu deu essa festa, será o único momento de “Os Maridos” em que teremos a sensação de diversão genuína entre o trio que acompanharemos durante o restante do filme.

a morte de Stuart é o momento em que há uma ruptura muito clara na vida dos amigos: não existe mais meio-termo. a perspectiva da finitude da vida, nessas circunstâncias, apresenta dois caminhos: fazer um balanço da vida e enfrentar todos os problemas e frustrações de sua trajetória, ou simplesmente ignorar tudo isso e viajar pra Londres, beber todas e ir atrás de mulheres. durante o filme, que é uma tentativa de fuga da vida que levam e do próprio luto, é constante a sensação de que tudo uma hora vai desmoronar. as tentativas de Archie de expressar esse sentimento são fracassadas, pois ele não sabe nem como começar. os momentos ensolarados ficaram apenas nas fotografias.

 

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os maridos [john cassavetes, 1970]

voo [robert zemeckis, 2012]

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O ser humano não tem natureza, mas História”.
José Ortega y Gasset.

o primeiro passo pra mudança real do homem é que ele conte sua própria história com sinceridade. apesar das circunstâncias oferecerem diversas oportunidades para que whip (denzel) admita o que ele é (e que é óbvio para todos os que estão em sua volta), ele as rejeita. a partir do momento em que ele verbaliza suas feridas não cicatrizadas tudo se torna mais claro e sua trajetória se ilumina, mesmo que isso signifique enfrentar a prisão, coisa que ele tenta evitar durante o filme inteiro. não à toa que o filme se encerra com seu filho pedindo pra que ele conte sua história.

voo [robert zemeckis, 2012]

a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

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um filme que não quis ser sincero, o objetivo aqui foi ser ‘esperto’ e acabou num filme sem alma. o que o ang lee quis era fazer uma crítica a essa cultura do espetáculo norte-americana mas não conseguiu sair dos entraves dessa premissa (ruim). o que poderia salvar o filme seria o relacionamento entre os soldados, a amizade entre eles, o relacionamento de billy com a sua família, mas tudo isso acaba sendo retratado de forma estéril. sem falar em um desfile de personagens imbecis/inúteis, como o do Chris Tucker.

a longa caminhada de billy lynn [ang lee, 2016]

os melhores filmes que vi pela primeira vez em 2016

stevejobs

30. Steve Jobs (Danny Boyle, 2015).

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29. Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers; Don Siegel, 1956).

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28. Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands; Tim Burton, 1990).

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27. Um Amor a Cada Esquina (She’s Funny That Way; Peter Bogdanovich, 2014).

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26. Amor Bandido (Mud; Jeff Nichols, 2012).

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25. Pat Garret & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973).

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24. Amantes (Love Streams; John Cassavetes, 1984).

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23. Goonies (Richard Donner, 1985).

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22. Conta Comigo (Stand By Me; Rob Reiner, 1986).

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21. Hacker (Blackhat; Michael Mann, 2015).

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sully

20. Sully (Clint Eastwood, 2016).

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19. Atração Perigosa (The Town; Ben Affleck, 2010).

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18. Do Mundo Nada Se Leva (You Can’t Take It With You; Frank Capra, 1938).

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17. O Céu Mandou Alguém (3 Godfathers; John Ford, 1948).

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16. Os Suspeitos (Prisoners; Dennis Villeneuve, 2013).

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15. A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington; Frank Capra, 1939).

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14. No Coração do Mar (In The Heart Of The Sea; Ron Howard, 2015).

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13. O Show de Truman (The Truman Show; Peter Weir, 1998).

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sabrina

12. Sabrina (Billy Wilder, 1954).

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11. Creed (Ryan Coogler, 2015).

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10. Viver (Ikiru; Akira Kurosawa, 1952).

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9. Quadrilha Maldita (Day of The Outlaw; Andre De Toth, 1959).

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8. Agonia de Uma Vida (Thunder On The Hill; Douglas Sirk, 1951).

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7. Viagem à Itália (Viaggio In Italia; Roberto Rossellini, 1954).

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6. Essa Pequena É Uma Parada (What’s Up Doc?; Peter Bogdanovich, 1972).

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5. Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off; John Hughes, 1986).

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4. Marrocos (Morocco; Josef Von Sternberg, 1930).

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3. Campo dos Sonhos (Field of Dreams; Phil Alden Robinson, 1989).

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2. Cada Um Vive Como Quer (Five Easy Pieces; Bob Rafelson, 1970).

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1. Amantes (Two Lovers; James Gray, 2008).

os melhores filmes que vi pela primeira vez em 2016

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

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o Jack Nicholson parece sempre andar em uma tênue linha entre o amigável e o ameaçador. seu rosto, com alguns leves movimentos, é capaz de caminhar livremente entre territórios distantes, como a paz e o caos. mas nesse filme vi algo que ainda não tinha presenciado em filmes com ele, que é o da desilusão que paralisa qualquer expressão. as palavras dilacerantes ditas pela Catherine são capazes de travar a reação de Bobby (Nicholson), porque ali é escancarado a verdade que ele ignora: de que a mudança real parte do interior do homem. Bobby é uma folha seca, solta de sua árvore, sendo levado pra todos os lados de acordo com o vento, sem a capacidade de criar raízes – o oposto da Catherine. cada um vive como quer, mas será que Bobby, realmente, vive?

cada um vive como quer [bob rafelson, 1970]

no coração do mar [ron howard, 2015]

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em “o problema do sofrimento”, C.S. Lewis escreve:

“Você experimentaria uma sensação de assombro e certo retraimento – a percepção da própria fraqueza e da incapacidade de fazer face a um visitante desses”.

eu sempre tive uma relação esquisita com o mar.

o mar ao mesmo tempo me convida e me repele. poucas são as vistas mais bonitas que o mar, mas ao lado do maravilhamento, ele me desperta um sentimento de pequenez.

assim como em ‘rush’, ron howard conta a história de homens corajosos que buscam afirmar sua vocação, mesmo que o preço seja a vida – porque é isso que eles sabem /devem fazer. e os feitos dos grandes homens sempre serão lembrados.

 

no coração do mar [ron howard, 2015]